Já fiz críticas ao técnico Roberto Fernandes e já pedi sua saída. Não posso, no entanto, responsabilizá-lo pela derrota desta sexta-feira por 2 a 0 para o São Caetano. Ele armou o time no esquema que devia armar, escalou quem devia escalar, substituiu quem devia substituir. Fez o que estava a seu alcance diante de tantos desfalques, mas não conseguia evitar a derrota.

O resultado, inclusive, foi pesado para o que o Furacão Alvinegro fez no jogo. Mesmo com um time inteiro de desfalques, o Figueira foi para cima, dominou a partida, desperdiçou diversas chances de gol, viu o goleiro Luís fazer um o outro milagre e não correu perigo na defesa.

Na fase atual do Figueira, no entanto, está faltando um pouco de tudo, um pouco mais de apoio da torcida, um pouco mais de qualidade, um pouco mais de calma, um pouco mais de sorte.

Assim, aos quatro minutos do segundo tempo, na primeira conclusão efetivamente a gol do São Caetano a bola entrou. Aí, num filme que se repete desde o ano passado, o time do Figueira entrou em parafuso e se perdeu em campo. Mesmo assim, a equipe paulista pouco perigo levou à meta alvinegra.

Mais para o final do jogo, o Figueira voltou a criar chances de empatar, mas continuou infeliz nas conclusões e aos 43 minutos, sofreu o segundo gol.

A situação é preocupante, mas, parodoxalmente, não é hora de desespero. Faltam 19 rodadas para terminar a série B e é plenamente possível conseguir o acesso. O problema, no entanto, é que o time se enrola justamente quando pode se confirmar como candidato inquestionável a uma das quatro vagas. O time precisa mais qualidade, mais tranquilidade, mais experiência para agüentar o tranco e conseguir enfileirar uma sequência de vitórias.

Notas avulsas

* Não dá para entender porque a CBF escala um árbitro completamente desconhecido e inexperiente lá do Pará para apitar no Orlando Scarpelli. Ganhava quem berrava mais e o Figueira, por conta de sua inexperiência, anda berrando menos. O juizão errou em não expulsar o meia Eduardo Ramos que parou um contra-ataque dando um sarrafo em Lucas e já tinha amarelo. Depois, num gol perdido por Carlinhos, parece ter havido pênalti no jogador alvinegro, mas eu precisaria ver o lance na TV para dar uma opinião definitiva.

* Um lance retrata a fase difícil que o Figueira vive. Marcelo bate uma falta lateral, manda a bola pro bolo dentro da área do São Caetano, a pelota passa por todo mundo, vai em direção ao gol, o arqueiro escorrega, cai estatelado no chão e a bola se aninha tranquilamente em seu peito. Ô, inhaca.

* De qualquer forma, a bola parada do Figueira é uma lástima. Falta frontal à área e nada é a mesma coisa. Não há ninguém que bata bem. Acerte no gol ao menos. Os escanteios e faltas laterais também custam a dar em alguma coisa. A partir de certa altura do jogo, os batedores designados começam a fingir de mortos para se livrarem da incumbência. Nas raras vezes que a bola chega na cabeça da alguém, a conclusão é péssima. Ao menos, neste jogo foi.

* O protesto da torcida ao final do jogo é perfeitamente compreensível e um direito que assiste ao torcedor. O que me impressiona é ver gente que passa a partida calada só se animar na hora de xingar o técnico, a diretoria e berrar que o time é sem vergonha. Tem torcedor que, se o time vence, entra mudo e sai calado do estádio.

Por Ney Pacheco.