As últimas notas sobre o Figueira
* Futebol é interessante porque permite múltiplas interpretações e leituras dos inúmeros detalhes que o cercam. Os tropeços do Figueira contra times fracos, que brigam para não cair, chamam muito a atenção de todos. Derrotas como as para o América, em casa, para Campinense, Fortaleza e Vila Nova.
* Só que a campanha enfrenta dificuldades também em outra frente. Dos oito confrontos com times paulistas até agora, o Figueira só ganhou um. Da Ponte Preta, em Campinas. Foram sete derrotas, sendo quatro em casa (Guarani, Portuguesa, São Caetano e Ponte Preta). Quer dizer, mais da metade das 13 derrotas do Figueirense na competição foram para times de São Paulo. Agora só resta uma chance de bater um paulista no Scarpelli, contra o Bragantino. Nos bons tempos, era o Figueira que fazia um inferno da vida da caipirada.
* Que me perdoem aqueles que têm olhos e ouvidos sensíveis mas não há outro jeito de dizer: tem hora que o time do Figueira é muito cabaço. Tomar dois gols como os que sofreu no sábado num jogo decisivo é muita inocência e ingenuidade.
* No primeiro gol, não consegui entender porque, ainda no primeiro tempo, com o jogo em zero a zero, não ficou ninguém na sobra numa cobrança de escanteio a favor do Figueira. Eram dois defensores alvinegros (Brum e Paulinho) para dois atacantes da Ponte.
* Nos dois gols, o time adversário carregou a bola por quase todo o campo sem ser importunado. Não sou adepto da violência, mas tem hora que tem que fazer a falta. Ainda mais quando esse recurso é utilizado descaradamente por todos os adversários. Puxa a camisa, derruba, dá um pescoção, acerta o tornozelo. Ou sai com a bola no desarme ou não perde a viagem.
* No lance do segundo gol, o garoto Roberto Firmino não perdeu na corrida para o ala Vicente. Só que o deixou cruzar. Entra no carrinho e joga tudo – bola, jogador, bandeirinha de escanteio – para o alambrado. Só não deixa cruzar.
* Lucas e Rafael Coelho são voluntariosos e lutadores, mas precisam botar a cabeça para funcionar em vez de só correr. Lucas errou todos os cruzamentos no segundo tempo contra o Vila Nova. Ou acertava o lateral adversário, ou cruzava mal ou ficava impedido quando a formação da linha burra do Vila era evidente. Era só esperar a hora certa para partir depois do lançamento.
* Depois de um primeiro tempo razoável, Lucas resolveu centrar todas as bolas na mão do goleiro da Ponte. Pior: no fim do jogo, naquele sufoco, vendo a dificuldade do garoto, os outros jogadores continuavam passando a bola para ele cruzar errado.
* Já Rafael Coelho tem hora que quer atravessar o seu marcador no meio. No fim do jogo, com pelo menos quatro alvinegros na linha da pequena área, recuperou um bola cruzada e, sem ângulo, no canto direito da grande área, enfiou um canudo pela linha de fundo. Era só cruzar com força, rasteiro, que algum alvinegro empurrava pra dentro. Tem que levantar a cabeça, guri.
* Três jogos em oito dias, desgastaram Fernandes. No segundo tempo, pareceu cansado. Não sei se foi orientação do técnico, mas o camisa 10 alvinegro se fixou como atacante. Mesmo cansado, na única bola mais ou menos ajeitada que recebeu, empurrou para dentro. Mas fica o registro: foi seu 26º jogo consecutivo nesta série B, desde o retorno contra o Atlético-GO na quinta rodada do primeiro turno. Para quem era tido como acabado para o futebol, é uma marca incomparável, além da qualidade do futebol que mostrou na maioria das partidas.
* É difícil avaliar sem ter todos os detalhes, mas não consigo entender muito bem o afastamento de Maicon e a possibilidade dele voltar já contra o Brasiliense, como diz o Infoesporte. Ou não foi tão grave assim ou então poderia ser resolvido de outra forma, com uma multa, por exemplo. Não creio que o Figueira tenha perdido no sábado pela ausência de Maicon, que vinha jogado mal há várias partidas. Mas se o julgam tão importante para a equipe, a situação foi mal administrada.
* Ah, tá muito difícil, mas ainda não acabou. Quem venha o Brasiliense. Dá-lhe, Piu!
Por Ney Pacheco.

