Dos 19 jogos que o Figueira disputou no estádio Orlando Scarpelli na vitoriosa campanha do título estadual de 1999, por um sério problema familiar só não fui a um: a vitória por 3 a 1 sobre a Kindermann, de Caçador, no dia 23 de março.

Não vou, no entanto, afirmar que lembro exatamente da estréia de Fernandes no Scarpelli (quartas-de-final do returno, 2 a 1 no Joinville no tempo normal e 1 a 1 na prorrogação, em 27 de junho).

Lembro sim que Fernandes começou a se firmar nestes jogos de mata-mata do segundo turno, quando o Furacão Alvinegro disputou e perdeu a decisão para o Criciúma – o Figueira já havia vencido o 1º turno.

Lembro que ele começou a mostrar sua qualidade e foi assumindo importância cada vez maior para o time, culminando com o belo gol de empate marcado nas semifinais contra o Joinville no Scarpelli (1 a 1 em 18 de julho) que garantiu a vaga na decisão contra o Avaí, depois da vitória por 1 a 0 no Ernestão na primeira partida.fernandes_gol_PA

Lembro ainda que o carniceiro volante avaiano Régis deu uma pegada que tirou Fernandes da primeira partida da decisão do campeonato, na Ressacada e do segundo jogo, além de iniciar seu primeiro grande drama. Um problema sério no ombro, que saía do lugar (ou algo parecido) pelo impacto causado por quedas violentas. O grande craque só conseguiu superar este problema grave ao fazer uma cirurgia em 2001.

Em 1999, ano que começou o período mais glorioso e vencedor de sua história, o Figueirense montou um elenco experiente para brigar pelo título estadual. Foram contratados jogadores como Sílvio e Maurício para o gol, Carlinhos, Polaco e Alexandre Rosa para a zaga; Edinho, Pedro Aruba e Denys para as laterais; Valdeir, Perivaldo e Daniel Frasson para a cabeça de área; Genilson, Aldrovani, Gilson Cabeção, Claudiomir e Toninho para o ataque. O jovem e desconhecido Fernandes chegou com o campeonato em andamento.

A meia, porém, se revelou uma posição problemática. A equipe começou o campeonato com Fabinho Fontes, revelado pela base do Corinthians, mas logo ele foi dispensado por indisciplina. Os outros meias contratados foram Zé Renato, ex-Santos, e Júlio Cesar, o Imperador, campeão brasileiro pelo Flamengo em 1992. Só que nenhum deles conseguia apresentar um futebol regular e assim Fernandes foi ganhando espaço e importância.

Importância que aumentou ao longo do tempo. Durante esses 10 anos, Fernandes saiu, voltou, teve contusões graves. Deu, no entanto, contribuições fundamentais para o Figueira.

Suas grandes exibições e gols nos clássicos, sua participação fundamental no acesso em 2001, seu toque refinado, seu reiterado amor ao clube. Tudo isso o credencia como um dos jogadores mais importantes da história do Figueirense.

Depois de Edmundo, Fernandes é o maior jogador que vi com a camisa do Figueirense. Edmundo foi um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro e brilhou intensamente no pouco mais de seis meses em que passou pelo Figueira.

Fernandes, além da qualidade de futebol, ganhou importância por sua longa relação com o clube, por seu empenho, sua dedicação e capacidade de superação.

Não interessa como termine o ano. Ver Fernandes de volta, jogando um jogo depois de outro, com seu costumeiro talento, é algo que não tem preço. Tanto esforço merece sim ser recompensado com o acesso para a primeira divisão.

Ter Fernandes em campo, entretanto, transcende qualquer resultado de momento. É algo para ficar gravado na memória de quem ama o futebol e de quem tem o privilégio de torcer pelo Figueira.

Por isso, Fernandes, obrigado, muito obrigado por tudo.

Por Ney Pacheco.