Tinha um jornalista que costumava dizer que o boxe tinha pelo menos três “lutas do século” por ano. Assim também é o campeonato catarinense, segundo a RBS, que voltou a deter os direitos de transmissão, e, na maior parte do tempo, parece uma empresa promotora de eventos que tem meios de comunicação para divulgá-los e não uma empresa jornalística que cobre os eventos que acontecem. Essa semana, por exemplo, o conglomerado gaúcho não falará de outra coisa que não do Planeta Atlântida e do campeonato catarinense.

Mas isso é outra história. O fundamental é que o campeonato catarinense de 2010 não está com cara de ser o melhor nem da década, que dirá dos últimos tempos. De todos os tempos então só pode ser piada.

O Figueirense está montando um time sub-23 – tipo seleção olímpica, que pode ter três jogadores acima desta idade. Pode até dar certo, mas é uma aposta arriscada.

O Avaí desmanchou o time quase todo e está montando um novo. Tem alguns jogadores de qualidade, mas a maioria vem de longo tempo sem jogar. Pode até dar certo, mas é uma aposta arriscada.

O Criciúma não tem dinheiro pra nada. Contratou o velho Murilo, ex-Avaí, e tem o Itamar Schulle tentando fazer um time decente com os remendos que dispõe. Aliás, se o Criciúma tivesse dinheiro, certamente seu técnico não seria o Itamar. Pode até dar certo, mas é uma aposta arriscada.

O Joinville ganhou a Copa Santa Catarina. E daí? Só jogou contra time B e/ou contra time ruim. Marcílio Dias e Brusque ganharam as copinhas anteriores e não passaram de um traque no campeonato estadual seguinte. Pode até dar certo, mas é uma aposta arriscada.

A Chapecoense manteve o técnico Mauro Ovelha, boa parte da base e trabalha para fazer novamente uma grande campanha. Como os times dirigidos pelo Ovelha costumam fazer, deve ganhar de quase todo mundo em casa e perder de quase todo mundo fora. É a aposta menos arriscada, mas não vai apresentar um futebol capaz de encantar alguém. O resto vai fazer a figuração de costume.

Estaremos no Scarpelli porque somos fanáticos, torcendo pelo Figueira, mas provavelmente seremos brindados novamente com quase cinco meses de jogos tecnicamente ruins e com arbitragens horrorosas como costuma ser o padrão do quadro da FCF.

Além do fanatismo habitual, nada nos motiva ou nos faz morder os cotovelos de ansiedade aguardando pelo início da primeira rodada. Viola, Sávio, o time que o Figueira está armando e o goleiro que participou do BBB são muito pouco para motivar qualquer campeonato.

Por Ney Pacheco.