A cereja da pizza catarinense
Depois do carnaval que vimos na mídia local sobre os acontecimentos do clássico, o tempero final da pizza veio com a denúncia apresentada pelo procurador Robson Vieira ao Tribunal de Justiça Desportiva (TJD).
Sim, porque depois ver gente na mídia minimizando a confusão cometida por jogadores, dirigentes e torcedores do Avaí – “foi bomba, não foguete”, “tadinho, ele já se arrependeu, até chorou na frente do delegado”, “a culpa de tudo foi da péssima arbitragem” –; de ver o mise en scène das notas oficiais e da denúncia apresentada pelo time do Sul da Ilha ao TJD, o rolo todo só podia ser coroado por um relatório que teve o “requinte” de indiciar Jeovânio pelo foi escrito em coluna de jornal e em blog da internet.
Este blog concorda então com a afirmação do diretor jurídico do Figueirense, Rodrigo Titericz, que disse que “as denúncias contra Jeovânio foram decorrentes de uma situação criada para diminuir a culpabilidade dos atletas e treinador do Avaí” (leia mais aqui e aqui).
E não só a denúncia contra Jeovânio, mas outra, difusa, contra o Figueirense, por ter participado “de rixa, conflito ou tumulto, durante a partida, prova ou equivalente”, cuja punição prevê uma multa de 20 mil reais caso não seja possível identificar os atletas, integrantes da comissão técnica ou dirigentes que tenham tomado parte da “rixa, conflito ou tumulto”.
A denúncia é, portanto, a “cereja da pizza” porque a lógica é a apontada por Titericz. Distribui a ameaça para todos os lados e depois faz um “acordão” para livrar a cara de todo mundo e fatiar a pizza alegramente.
Só que a estratégia só serve para livrar a cara do time do Sul da Ilha. Quem promoveu toda a confusão foram os avaianos, seus jogadores, dirigentes, sua comissão técnica, e até seus gandulas, que são, inclusive, reincidentes.
A denúncia contra Jeovânio é estapafúrdia. Não se pode pautar uma denúncia num tribunal desportivo pelo que escreveram os jornalistas, por mais fiéis aos fatos que eles sejam. Se fosse um vídeo, tudo bem, mas diz-que-diz? Tem que haver algo mais contundente que isso para condenar alguém. E pelo que sei ou é súmula ou imagem de vídeo.
Se a moda pega, o Figueira faz nove jogos fora de casa, no mínimo, no campeonato estadual e em cada um deles alguém da imprensa local pode dizer que um jogador alvinegro fez gestos obscenos para alguém. No final do segundo turno, quase todo o time titular vai estar suspenso.
O jogo em Chapecó
É dificíl avaliar como a Chapecoense vai reagir à traulitada que tomou no Mineirão. Um ano que começou com muito otimista, com um time apontado como um dos candidatos ao título, inclusive por este blogueiro, pode acabar com um inesperado rebaixamento à segunda divisão neste domingo.
O Figueirense, por sua vez, também tem problemas. Uma semana que começou otimista, apontando para um time com mais opções com a condição de jogo de atletas importantes como Bilu, Fernandes e Marcelo Nicácio, se aproxima do dia do jogo com desfalques.
Jeovânio segue de fora, o que já era esperado. Fernandes não foi relacionado para o jogo. Marcelo Nicácio torceu o tornozelo e não viaja. Maicon sentiu o joelho e também está fora. E ainda há a suspensão de Roberto Firmino. O meio-campo, que tem sido o ponto forte do Figueira, vai estar então muito mexido.
Vai ser um jogo tenso. A Chapecoense vai ter que sair para o jogo e o Figueira, que não tem primado por um bom sistema defensivo, vai ter que saber como se livrar da pressão e explorar os espaços que o time do Oeste pode oferecer.
Por Ney Pacheco.

