A visão alvinegra do clássico de SC
Já fiz o pós-jogo para o Meu Figueira (clique aqui para ler) e então vou aproveitar este post para dar pitacos generalizados sobre o Clássico de domingo, a campanha do Figueira, a arbitragem, a mídia de Floripa e as perspectivas para a série B:
* O Figueirense botou o Avaí na roda depois dos 15 minutos do 1º tempo, mas não conseguiu ser efetivo na criação de chances claras. Teve um chute de Juninho que desviou na zaga e deu trabalho para Zé Carlos e a jogada do gol.
* No segundo tempo, a posse de bola foi bem mais equilibrada, mas o Figueira foi bem mais incisivo, criando chances com Willian e Fernandes, que preferiu cruzar a chutar, quando o jogo estava 1 a 0 e mais cinco ou seis chances depois do empate avaiano.
* O pênalti é o típico lance de falta cavada que só é assinalada no Brasil. O jogador sente a mão do adversário nas costas e automaticamente dobra os joelhos, atirando-se ao chão. Como o Avaí era o time da casa e veio firmemente disposto a se atirar na área quantas vezes fosse preciso, conseguiu o que queria, já que Sálvio Espíndola não teve a coragem necessária para agüentar a pressão.
* Como falta critério, Sálvio deixou de assinalar falta em vários lances parecidos durante o jogo todo e pelo campo todo. Num deles, depois do gol de empate avaiano, o zagueiro avaiano meteu a mão na cara de João Paulo dentro da área. Que fique claro: para mim, nenhum dos dois lances foi pênalti.
* Também falta critério para a imprensa. Se um lance igual ao do “pênalti” em Caio favorecesse o Figueira, eram horas e horas de transmissão destinadas a discutir o assunto. Eram entrevistas e mais entrevistas, discursos depois de discursos, simpósios e seminários.
* Como não foi, não vira nem notícia em alguns casos. Matérias e comentários sequer mencionam que o lance foi duvidoso ou polêmico. Foi pênalti e ponto final.
* No rádio e na TV, o lance é comentado sem muita ênfase, de forma isenta e distanciada como, supostamente, todo o trabalho da imprensa deveria ser. Entra no balanço geral como os chutes para fora, o melhor em campo, algumas faltas invertidas pelo árbitro. Nada que saia do normal.
* Um exemplo da falta de critério. No clássico anterior na Ressacada, o zagueiro puxa até esticar a camisa de Roberto Firmino numa cobrança de escanteio. Pênalti, de acordo com a regra.
* Renato Semensati, da CBN, opina que pela regra é pênalti, mas para ele não e explica que o puxão não teve força suficiente para desequilibrar Roberto Firmino.
* No Clássico deste domingo, no entanto, o fator força não entrou na equação. Se Juninho fez ou não força suficiente para derrubar Caio não interessa. Interessa, neste caso, que a mão nas costas caracteriza o pênalti.
* A perspectiva da transmissão pela CBN é sempre a do Avaí. “O Avaí está dando espaço”, “o Avaí cedeu o meio-campo”, “o que o Avaí tem que fazer para empatar o jogo?”, “o Figueirense está melhor porque o Avaí…”.
* Fernandes mostrou mais uma vez porque é iluminado. Sem jogar desde novembro, quando terminou a série B, voltou, não fez uma grande exibição, mas fez seu gol, o 94º com a camisa alvinegra, igualando a marca de Calico Moritz como o maior artilheiro do Figueira em todos os tempos.
* Os melhores em campo pelo Figueira foram Wilson, que foi decisivo quando foi chamado a intervir, João Filipe, que foi quase perfeito na zaga, por cima e por baixo, e Juninho, que foi incansável e apareceu bem na defesa e no ataque.
* No mundo ideal, o Figueira fica com 16 ou 17 jogadores do elenco atual para a série B. A maioria não serve nem para compor grupo. Alguns tem ótimo nível, ao menos para a série B. E outros podem ficar e serem úteis, mas não como titulares no começo da competição.
* Inclusive, o Figueira mostrou nesta reta final que precisa de um pouco mais de experiência e de muito mais capacidade de decidir jogos importantes. Fernandes e Nicácio podem suprir um pouco desta necessidade, mas para um campeonato longo como a série B, o elenco tem que ser mais equilibrado e mais qualificado.
* Essa dificuldade de decidir o jogo, complicou a vida do Figueira em Chapecó, quando o time desperdiçou seis ou sete chances absurdamente claras no final da partida. O resultado tirou a decisão do returno do Scarpelli e neste sentido foi decisiva para deixar o Alvinegro fora da decisão do campeonato. Também apareceu neste domingo e na partida anterior contra o Joinville.
* Isso, porém, é tema para um post mais extenso e exclusivo. Voltamos ao assunto durante esta semana.
Por Ney Pacheco.

