Figueira é derrotado pelo Náutico em casa
No ano passado, a certa altura da Série B, alguém comentou aqui no blog que o Figueirense tinha time para ficar entre 5º e 8º lugar. Faltava algo mais para garantir o acesso.
Não recordo quem comentou isso, e tampouco vou assumir a autoria do raciocínio, mas depois da partida desta terça-feira, o comentário me veio à lembrança.
Ano passado, ao final de quatro rodadas, o Figueira tinha sete pontos, agora são seis. Nas rodadas seguintes, perdeu para Guarani e Atlético-GO, dois times que subiram para a série A ao final do campeonato. Agora enfrenta Brasiliense e ASA, duas equipes que estão um ponto a frente do Alvinegro, mas parecem inferiores aos dois adversários de 2008.
A sensação de agora, no entanto, é a mesma do ano passado. Ta faltando alguma coisa. O time não é ruim o suficiente para fazer uma temporada tenebrosa que nos leve às profundezas da série C, mas também não tem punch e capacidade para se firmar entre os quatro melhores.
Futebol tem um bocado de aleatório, de insondável. Em nenhuma das partidas anteriores, o Figueirense criou tantas oportunidades claras de gol como as que construiu nesta terça no Scarpelli, principalmente no segundo tempo. Pois perdeu o jogo assim mesmo.
Figueirense perdeu muitos gols no segundo tempo
Se contra o América, o time demorou demais para partir para cima do adversário. Hoje o time amassou o Náutico durante todo o segundo tempo e desperdiçou gols na cara do goleiro.
No balanço deste começo, o Figueira venceu as partidas mais difíceis e perdeu as mais fáceis. O que poderia ser uma liderança com no mínimo 10 pontos, se transformou num nono lugar com seis. Se tu faz o mais difícil ao vencer times considerados melhores não pode devolver esses pontos em seguida para equipes piores. Esse zero a zero não levará o Furacão Alvinegro a lugar algum.
Isso tem um preço. O time fica mais pressionado para vencer, a margem de erro diminui, a ansiedade aumenta. Já vimos esse filme. O bom é que dá para mudar o roteiro ainda no início.
Notas Alvinegras
* Definitivamente, detesto jogo às 19h30. Cruzar a ponte rumo ao Estreito no fim da tarde é um inferno. Cheguei 15 minutos depois do jogo começado, não pude ajudar na distribuição do jornal e nem ter a tranquilidade que gosto de ter para entrar no clima do jogo.
* Alexandre Gallo continua o mesmo boçal intragável. Continua o mesmo ao fazer seus times jogarem com nervos a flor da pele. Seus times batem muito, reclamam muito da arbitragem, tem muitos jogadores expulsos, tem defesas mal armadas, não prendem a bola no meio-campo e cada jogo é uma montanha russa.
* Isso funciona por um período, mas tem consequências nefastas em longo prazo. Nós sabemos disso e do pior jeito. O pessoal do Náutico vai acabar aprendendo também.
* Pode ser fruto da falta de ritmo de jogo, da celeuma envolvendo sua ausência em Belo Horizonte, a ansiedade de se tornar o maior artilheiro da história do clube ou um pouco de cada, mas Fernandes perdeu gols que não costuma perder. Mas é só arrumar um lugar para ele no time que logo ele volta a balançar as redes.
* Muitos reclamaram da saída de Nicácio para a entrada de Fernandes, mas o centroavante sentiu o tornozelo. E aí botar logo Jr. Negão no lugar do camisa 9 era ter por 45 minutos o que se teve por 30: a falta de sintonia com a bola e com o resto do time.
* Nicácio ainda está devendo. William esqueceu o futebol junto com os prêmios ganhos no estadual. O banco não existe. Não se ganha nada com somente dois bons atacantes.
* Lembram de 2001? Felipe, Gilson Batata, Genilson, Dão e Abimael. Felipe e Dão se quebraram no caminho. Gilson Batata chegou no quadrangular final brigando com uma contratura e sobrou pro Abimael fazer gols decisivos.
Por Ney Pacheco.

