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Seis milhões em seis meses?

quinta-feira, abril 29th, 2010

Na metade do ano passado, quando sequer se cogitava a saída da Participações do comando do futebol do Figueirense, obtive a informação de que até aquele momento a empresa estava honrando seus compromissos por conta do dinheiro que havia entrado com as negociações de jogadores em 2008. E não foram poucos os atletas negociados. Chicão, André Santos e Felipe Santana, por exemplo, estavam entre eles.

Quando fico sabendo que o balanço de 2009 apresentado pela FPSA traz um déficit de quase seis milhões de reais, só posso ficar surpreso. Se a até a metade do ano, o clube estava no zero a zero, como conseguiu terminar com um rombo de quase seis milhões, ou seja, operou num negativo médio de um milhão mensal entre julho e dezembro. Como foi possível? Será que Roberto Brum e Bóvio foram contratados a peso de um ouro tão pesado assim?

O Figueirense Futebol Clube deve então auditar bem as contas da gestão passada e verificar para onde foi cada centavo. Até porque o distrato garante que a responsabilidade pelas dívidas contraídas no período em que o futebol foi terceirizado é da FPSA. E se a empresa ficou devendo, que pague, pois as condições para a sua saída, incluindo a rescisão de contrato dos jogadores mais valiosos do elenco, já foram muito vantajosas para ela.

Se por um lado, esses números servem para mostrar que a herança deixada pela FPSA não é aquela maravilha apregoada em verso, prosa e páginas coloridas, por outro, os números não são lá tão assustadores. Um clube como o Figueirense tem como superar esses problemas. Se subir este ano para a série A, por exemplo, já garante quase 10 vezes mais de verba da TV em 2011.

Os fatos também reforçam a necessidade de aumentar a transparência. Desde 2008, em meus primeiros contatos com a direção do clube, eu reforço a importância de se utilizar o site do clube para divulgar dados prosaicos como a relação de conselheiros, os balanços anuais,convocatórias e atas das reuniões do conselho, o Estatuto do clube e coisas do tipo. Não significam nada em termos de custo e dão trabalho quase mínimo. E permitiriam que a grande maioria da torcida tivesse acesso a estas informações. Quem sabe agora, que a gestão mudou, mudem também os hábitos. É o que se espera.
Notas Alvinegras

* O zagueiro Aislan, cogitado entre os possíveis jogadores do São Paulo que poderiam vir para o Figueirense, foi anunciado como reforço do Paraná. E o São Paulo não poderia emprestá-lo para o Figueira mesmo que quisesse, já que ele rescindiu o contrato com o Tricolor paulista no começo de fevereiro (clique aqui e aqui).

* A pedido do alvinegro Zeca, faço o registro que o Avaí teve 11 pênaltis marcados a seu favor no campeonato e nenhum marcado contra. Alguém gritou “alô, doutor”?

* Bruno Formigoni vem mesmo? Quem mais vem? Quem sai? Aguardamos novidades.

Por Ney Pacheco.

A visão alvinegra do clássico de SC

segunda-feira, abril 19th, 2010

Já fiz o pós-jogo para o Meu Figueira (clique aqui para ler) e então vou aproveitar este post para dar pitacos generalizados sobre o Clássico de domingo, a campanha do Figueira, a arbitragem, a mídia de Floripa e as perspectivas para a série B:

* O Figueirense botou o Avaí na roda depois dos 15 minutos do 1º tempo, mas não conseguiu ser efetivo na criação de chances claras. Teve um chute de Juninho que desviou na zaga e deu trabalho para Zé Carlos e a jogada do gol.

* No segundo tempo, a posse de bola foi bem mais equilibrada, mas o Figueira foi bem mais incisivo, criando chances com Willian e Fernandes, que preferiu cruzar a chutar, quando o jogo estava 1 a 0 e mais cinco ou seis chances depois do empate avaiano.

* O pênalti é o típico lance de falta cavada que só é assinalada no Brasil. O jogador sente a mão do adversário nas costas e automaticamente dobra os joelhos, atirando-se ao chão. Como o Avaí era o time da casa e veio firmemente disposto a se atirar na área quantas vezes fosse preciso, conseguiu o que queria, já que Sálvio Espíndola não teve a coragem necessária para agüentar a pressão.

* Como falta critério, Sálvio deixou de assinalar falta em vários lances parecidos durante o jogo todo e pelo campo todo. Num deles, depois do gol de empate avaiano, o zagueiro avaiano meteu a mão na cara de João Paulo dentro da área. Que fique claro: para mim, nenhum dos dois lances foi pênalti.

* Também falta critério para a imprensa. Se um lance igual ao do “pênalti” em Caio favorecesse o Figueira, eram horas e horas de transmissão destinadas a discutir o assunto. Eram entrevistas e mais entrevistas, discursos depois de discursos, simpósios e seminários.

* Como não foi, não vira nem notícia em alguns casos. Matérias e comentários sequer mencionam que o lance foi duvidoso ou polêmico. Foi pênalti e ponto final.

* No rádio e na TV, o lance é comentado sem muita ênfase, de forma isenta e distanciada como, supostamente, todo o trabalho da imprensa deveria ser. Entra no balanço geral como os chutes para fora, o melhor em campo, algumas faltas invertidas pelo árbitro. Nada que saia do normal.

* Um exemplo da falta de critério. No clássico anterior na Ressacada, o zagueiro puxa até esticar a camisa de Roberto Firmino numa cobrança de escanteio. Pênalti, de acordo com a regra.

* Renato Semensati, da CBN, opina que pela regra é pênalti, mas para ele não e explica que o puxão não teve força suficiente para desequilibrar Roberto Firmino.

* No Clássico deste domingo, no entanto, o fator força não entrou na equação. Se Juninho fez ou não força suficiente para derrubar Caio não interessa. Interessa, neste caso, que a mão nas costas caracteriza o pênalti.

* A perspectiva da transmissão pela CBN é sempre a do Avaí. “O Avaí está dando espaço”, “o Avaí cedeu o meio-campo”, “o que o Avaí tem que fazer para empatar o jogo?”, “o Figueirense está melhor porque o Avaí…”.

* Fernandes mostrou mais uma vez porque é iluminado. Sem jogar desde novembro, quando terminou a série B, voltou, não fez uma grande exibição, mas fez seu gol, o 94º com a camisa alvinegra, igualando a marca de Calico Moritz como o maior artilheiro do Figueira em todos os tempos.

* Os melhores em campo pelo Figueira foram Wilson, que foi decisivo quando foi chamado a intervir, João Filipe, que foi quase perfeito na zaga, por cima e por baixo, e Juninho, que foi incansável e apareceu bem na defesa e no ataque.

* No mundo ideal, o Figueira fica com 16 ou 17 jogadores do elenco atual para a série B. A maioria não serve nem para compor grupo. Alguns tem ótimo nível, ao menos para a série B. E outros podem ficar e serem úteis, mas não como titulares no começo da competição.

* Inclusive, o Figueira mostrou nesta reta final que precisa de um pouco mais de experiência e de muito mais capacidade de decidir jogos importantes. Fernandes e Nicácio podem suprir um pouco desta necessidade, mas para um campeonato longo como a série B, o elenco tem que ser mais equilibrado e mais qualificado.

* Essa dificuldade de decidir o jogo, complicou a vida do Figueira em Chapecó, quando o time desperdiçou seis ou sete chances absurdamente claras no final da partida. O resultado tirou a decisão do returno do Scarpelli e neste sentido foi decisiva para deixar o Alvinegro fora da decisão do campeonato. Também apareceu neste domingo e na partida anterior contra o Joinville.

* Isso, porém, é tema para um post mais extenso e exclusivo. Voltamos ao assunto durante esta semana.

Por Ney Pacheco.

Domínio do Figueirense na década

sexta-feira, abril 16th, 2010

Independente do resultado do clássico deste domingo, o último de 2010 e, portanto, o último da década, os primeiros 10 anos do século 21 foram de amplo predomínio alvinegro.

No balanço dos confrontos entre 2001 e 2010, foram 30 partidas, com 13 vitórias alvinegras, 12 empates e cinco derrotas, 46 gols pró, 30 contra, saldo de 16. É uma vantagem considerável. Uma vitória a cada seis jogos do lado de lá, uma vitória a cada dois clássicos, praticamente, do lado de cá.

A década foi ainda marcada por um longo tabu, iniciado ainda no ano 2000. No dia 9 de abril daquele ano, o Figueira perdeu para o Avaí por 2 a 1 na Ressacada (dia que prometi não por mais os pés no moquifo, história que conto outra hora).

Depois disso, o Alvinegro enfileirou uma sequência de 15 jogos sem perder, com sete vitórias e oito empates, até 2005, quando foi derrotado por um a zero na Ressacada.

Mesmo com o Figueira na série B e eles na série A, os avaianos não conseguem dar o troco. São quatro empates consecutivos pelo campeonato estadual. Na Ressacada, o Figueira não perde pela competição desde 2006.

A coisa ficaria mais feia para a turma azulejenta sem os clássicos da copinha SC disputados no fim do ano passado com os times B. Eles quase dobraram o número de vitórias na década (de três para cinco), com os dois triunfos que obtiveram. O primeiro no Scarpelli, num sábado de manhã, para pouco mais de mil testemunhas, e o segundo, na Ressacada, num domingo de manhã para aproximadamente 400 pagantes.

A supremacia alvinegra na primeira década do novo milênio é flagrante e indiscutível. O Figueirense mandou no Clássico, seja em casa, seja no Sul da Ilha. Fechar 2010 com mais uma vitória só confirmaria o que aconteceu com frequência nos últimos 10 anos.

Confira a lista dos Clássicos realizados nos últimos 10 anos.
Antes da década, início do tabu:

21/05/2000 – 2×2 – Scarpelli – Catarinense

10/09/2000 –1×1 – Ressacada – Copa João Havelange (Campeonato Brasileiro Série B)
Os resultados da década de 2010

10/03/2001 – 3×1 – Ressacada – Catarinense

29/04/2001 – 1×0 – Scarpelli – Catarinense

09/09/2001 – 2×0 – Scarpelli – Série B

27/10/2001 – 1×1 – Ressacada – Série B

07/12/2001 – 2×0 – Scarpelli – Quadrangular final da Série B (show de bola alvinegro)

18/12/2001 – 2×2 – Ressacada – Quadrangular final da Série B (Abimael marca gol igual ao que fez na partida seguinte, contra o Caxias)

12/05/2002 – 1×1 – Ressacada – Catarinense

13/06/2002 – 3×0 – Scarpelli – Catarinense

03/07/2002 – 3×1 – Ressacada – 1º jogo da final do 2º turno do Catarinense (Renato Martins marca o gol mil da história dos clássicos)

10/07/2002 – 0 x 0 – Scarpelli – 1º jogo da final do 2º turno do Catarinense (Figueira conquista os dois turnos e se consagra campeão estadual)

26/01/2003 – 1×1 – Ressacada – Catarinense

16/02/2003 – 1×0 – Scarpelli – Catarinense

02/02/2005 – 1×1 – Scarpelli – Catarinense

13/02/2005 – 0×1 – Ressacada – Catarinense (fim do tabu)

22/01/2006 – 2×1 – Ressacada – Catarinense

01/02/2006 – 2×1 – Lages – Catarinense (jogo em Lages por causa da reforma no gramado do Scarpelli)

19/02/2006 – 2×3 – Ressacada – Catarinense

19/03/2006 – 4×1 – Scarpelli – Catarinense (revoltados com o banho de bola, avaianos incendeiam as cadeiras do Scarpelli)

14/02/2007 – 3×0 – Scarpelli – Catarinense (Ramon faz barba, cabelo e bigode)

13/04/2007 – 1×0 – Ressacada – Catarinense (Ramon completa o serviço e elimina o Avaí com o gol aos 47 do 2º tempo)

12/10/2007 – 1 x 1 – Ressacada – Copa Santa Catarina

06/11/2007 – 2 x 2 –Scarpelli – Copa Santa Catarina

10/02/2008 – 3×0 – Ressacada – Catarinense (Até Bruno Perone jogou bem, Fernandes fez o seu e o Avaí apaga as luzes do estádio quando Alexandre faz o terceiro)

30/03/2008 – 0×2 – Scarpelli – Catarinense (O técnico Gallo escala Elton, que não fazia um jogo há nove meses e é expulso com 15 minutos de jogo)

05/02/2009 – 1×1 – Scarpelli –Catarinense (Eles pensavam que o time de série A ia patrolar o Figueira, mas suaram para empatar)

15/03/2009 – 1×1 – Ressacada – Catarinense (Eles pensavam que o time de série A ia patrolar o Figueira, mas suaram para empatar)

31/10/2009 – 0×2 – Scarpelli – Copa Santa Catarina

22/11/2009 – 0×3 – Ressacada – Copa Santa Catarina (jogos com o time B diminuem o vexame azulejento)

04/02/2010 – 2×2 – Scarpelli – Catarinense (Eles pensavam que o time de série A ia patrolar o Figueira, mas suaram para empatar)

24/03/2010 – 1×1 – Ressacada – Catarinense (amareletion, empate alvinegro no fim e show de selvageria do outro time)

Notas alvinegras

* O árbitro para o Clássico não será de Santa Catarina, mas também não virá de algum estado vizinho. Virá de mais de cima do mapa.

* O Figueira chama a torcida para comparecer ao treino no sábado pela manhã. É hora de dar todo o apoio para os jogadores e passar aquela energia positiva para uma grande vitória no domingo.

* Fernandes está com fome de bola. Isso é muito bom.

* Renê, Coutinho, João Filipe, Bilu. Faça sua aposta para quem joga na lateral direita no Clássico.

* Miguelinho diz no Debate Diário que se vier árbitro de fora tem que fechar o departamento de árbitros da FCF.

* Os árbitros daqui são mesmo ruins, mas quem piora tudo e queima praticamente todos é o Avaí e os avaianos com sua política de terra arrasada quando perdem um jogo. Como é fato comum, não sobra árbitro algum no fim da temporada.

Por Ney Pacheco.

Imprensa favorece Avaí contra o Figueira?

segunda-feira, junho 8th, 2009

Deu no DC, coluna do Roberto Alves:

Negativo

Sinal de alerta no Orlando Scarpelli. O time perde posições a cada rodada da Série B. Joga bem o primeiro tempo e depois cede. A palavra de ordem é a mesma de sempre, e preocupante: trabalho, muito trabalho.

Por que não citar como negativo também o Avaí que entrou na zona de rebaixamento e ainda não venceu uma partida na série A?

O discurso da imprensa para o Avaí é: Vamos lá, o time esta jogando bem, na próxima partida o Avaí vai vencer, vamos ao estádio, o time do Avaí é bom… e por aí vai.

O discurso da imprensa para o Figueirense é: o time esta despencando na tabela, a campanha é preocupante, o time não consegue vencer em casa… e mais algumas críticas.

Podem observar as notícias durante a semana e depois me cobrem.

Por Eduardo, do Gigante Alvinegro. Continue lendo aqui.