Não é só com os jornalistas que o presidente do Bahia, Marcelo Guimarães Filho, é praticamente incomunicável. O celular do cartola vive na caixa até para quem realmente necessita de contato direto com ele. Foi o que aconteceu na manhã desta quarta-feira, 10, quando o goleiro Marcelo e o vice financeiro Thiago Cintra se reuniram no Fazendão.
“Tentamos achar o presidente, mas não conseguimos. Parece que estava em reunião”, especulou o ‘Paredão’, que voltou a treinar com bola e falou com a imprensa pela primeira vez desde que começaram os boatos sobre sua saída.
Ele admite que recebeu propostas, mas precisa conversar com Marcelinho antes de acertar seu destino: “Quem tem que dizer se me libera ou não é o presidente. Agora, só vou sair do Bahia se o negócio for bom para os dois”, garantiu.
Marcelo tem contrato até junho com o tricolor, que “paga” 60% do seu salário. O resto fica a cargo do Corinthians, que detém seus direitos. Porém, o Bahia não tem feito sua parte. Assim como os demais atletas, o goleiro espera pelos salários de janeiro e fevereiro, mas a situação dele é ainda pior. O cheque de dezembro de 2009 foi sustado. “Tentei fazer o depósito duas vezes, mas voltou”.
Isso quase fez com que Marcelo perdesse a cabeça: “Tiveram momentos em que pensei ‘chega! Minhas reservas já acabaram, vou dar um basta nesse sofrimento’, mas esfriei a cabeça, pensei melhor e agora estou tranquilo”, afirmou.
E a paz de espírito momentânea se deve à renovação da promessa de pagamento, feita nesta quarta por Thiago Cintra. “Ele ficou de acertar o salário de janeiro da galera até amanhã (quinta-feira). Isso, diz que é fato. O meu cheque ficou para sexta-feira e fevereiro deve sair até dia 19. Deve!”, enfatizou, vacinado.
Além da questão do cheque sem fundo, o que deixou Marcelo “p… da vida”, segundo o próprio, foi um erro de avaliação dos médicos do clube. “No primeiro exame, disseram que tinha dado só um edema. Depois, fizeram outro e tinha um estiramento de 5 cm. Fiquei super chateado”, lamentou, sobre a lesão na panturrilha que o tirou dos gramados desde o o Ba-Vi do dia 24 de janeiro.
Como sempre bem-humorado, o goleiro disse que, se a diretoria não cumprir o acordo de quitar um salário nesta quinta, 11, terá que “tomar suas providências”, mas fez uma ressalva: “Agora, bote aí que, se sair, vai ser só alegria (risos)”.
Apesar de tudo, Marcelo trata de desmentir que estaria insatisfeito no Bahia. “É mentira. Este é o clube que me deu oportunidade de viver o que mais gosto. Se for preciso, voltarei a jogar. Queria, pelo menos, vestir a camisa do Bahia pela última vez”, revelou. Caso realmente vá embora, o jogador promete um pronunciamento. “Quando acertar, vou convocar uma coletiva. Devo satisfação a essa torcida, que foi o principal motivo para eu ficar aqui”.
Ao ser questionado sobre as propostas e os clubes interessados em seu futebol, Marcelo despista. “Isso aí é Orlando (da Hora, seu empresário) que tem que resolver. Ele me fala dos contatos, mas não diz que time é. Sabe que eu sou ansioso pra caramba”, admitiu. O Atlético Mineiro é o destino mais provável, mas, quando vem à tona a possibilidade de ganhar petrodólares na Arábia, o goleiro se anima mais.
“Tenho família, a Marcelinha, minha filha, que faz 4 anos dia 1º de abril. Enfim, tenho meus compromissos. Preciso olhar esse lado também, pois nossa vida é curta”, discursou.
A partir de junho, quando acaba o vínculo de Marcelo com o Corinthians, o Bahia teria que arcar com todo o salário do jogador – algo em torno de R$ 70 mil. “Isso pode pesar nas negociações”, finalizou ele, já prevendo que sua estada em Salvador está chegando ao fim.
Fonte: A TARDE. Por Euclides Almeida, do Sempre Bahia.