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A visão alvinegra do clássico de SC

segunda-feira, abril 19th, 2010

Já fiz o pós-jogo para o Meu Figueira (clique aqui para ler) e então vou aproveitar este post para dar pitacos generalizados sobre o Clássico de domingo, a campanha do Figueira, a arbitragem, a mídia de Floripa e as perspectivas para a série B:

* O Figueirense botou o Avaí na roda depois dos 15 minutos do 1º tempo, mas não conseguiu ser efetivo na criação de chances claras. Teve um chute de Juninho que desviou na zaga e deu trabalho para Zé Carlos e a jogada do gol.

* No segundo tempo, a posse de bola foi bem mais equilibrada, mas o Figueira foi bem mais incisivo, criando chances com Willian e Fernandes, que preferiu cruzar a chutar, quando o jogo estava 1 a 0 e mais cinco ou seis chances depois do empate avaiano.

* O pênalti é o típico lance de falta cavada que só é assinalada no Brasil. O jogador sente a mão do adversário nas costas e automaticamente dobra os joelhos, atirando-se ao chão. Como o Avaí era o time da casa e veio firmemente disposto a se atirar na área quantas vezes fosse preciso, conseguiu o que queria, já que Sálvio Espíndola não teve a coragem necessária para agüentar a pressão.

* Como falta critério, Sálvio deixou de assinalar falta em vários lances parecidos durante o jogo todo e pelo campo todo. Num deles, depois do gol de empate avaiano, o zagueiro avaiano meteu a mão na cara de João Paulo dentro da área. Que fique claro: para mim, nenhum dos dois lances foi pênalti.

* Também falta critério para a imprensa. Se um lance igual ao do “pênalti” em Caio favorecesse o Figueira, eram horas e horas de transmissão destinadas a discutir o assunto. Eram entrevistas e mais entrevistas, discursos depois de discursos, simpósios e seminários.

* Como não foi, não vira nem notícia em alguns casos. Matérias e comentários sequer mencionam que o lance foi duvidoso ou polêmico. Foi pênalti e ponto final.

* No rádio e na TV, o lance é comentado sem muita ênfase, de forma isenta e distanciada como, supostamente, todo o trabalho da imprensa deveria ser. Entra no balanço geral como os chutes para fora, o melhor em campo, algumas faltas invertidas pelo árbitro. Nada que saia do normal.

* Um exemplo da falta de critério. No clássico anterior na Ressacada, o zagueiro puxa até esticar a camisa de Roberto Firmino numa cobrança de escanteio. Pênalti, de acordo com a regra.

* Renato Semensati, da CBN, opina que pela regra é pênalti, mas para ele não e explica que o puxão não teve força suficiente para desequilibrar Roberto Firmino.

* No Clássico deste domingo, no entanto, o fator força não entrou na equação. Se Juninho fez ou não força suficiente para derrubar Caio não interessa. Interessa, neste caso, que a mão nas costas caracteriza o pênalti.

* A perspectiva da transmissão pela CBN é sempre a do Avaí. “O Avaí está dando espaço”, “o Avaí cedeu o meio-campo”, “o que o Avaí tem que fazer para empatar o jogo?”, “o Figueirense está melhor porque o Avaí…”.

* Fernandes mostrou mais uma vez porque é iluminado. Sem jogar desde novembro, quando terminou a série B, voltou, não fez uma grande exibição, mas fez seu gol, o 94º com a camisa alvinegra, igualando a marca de Calico Moritz como o maior artilheiro do Figueira em todos os tempos.

* Os melhores em campo pelo Figueira foram Wilson, que foi decisivo quando foi chamado a intervir, João Filipe, que foi quase perfeito na zaga, por cima e por baixo, e Juninho, que foi incansável e apareceu bem na defesa e no ataque.

* No mundo ideal, o Figueira fica com 16 ou 17 jogadores do elenco atual para a série B. A maioria não serve nem para compor grupo. Alguns tem ótimo nível, ao menos para a série B. E outros podem ficar e serem úteis, mas não como titulares no começo da competição.

* Inclusive, o Figueira mostrou nesta reta final que precisa de um pouco mais de experiência e de muito mais capacidade de decidir jogos importantes. Fernandes e Nicácio podem suprir um pouco desta necessidade, mas para um campeonato longo como a série B, o elenco tem que ser mais equilibrado e mais qualificado.

* Essa dificuldade de decidir o jogo, complicou a vida do Figueira em Chapecó, quando o time desperdiçou seis ou sete chances absurdamente claras no final da partida. O resultado tirou a decisão do returno do Scarpelli e neste sentido foi decisiva para deixar o Alvinegro fora da decisão do campeonato. Também apareceu neste domingo e na partida anterior contra o Joinville.

* Isso, porém, é tema para um post mais extenso e exclusivo. Voltamos ao assunto durante esta semana.

Por Ney Pacheco.

Domínio do Figueirense na década

sexta-feira, abril 16th, 2010

Independente do resultado do clássico deste domingo, o último de 2010 e, portanto, o último da década, os primeiros 10 anos do século 21 foram de amplo predomínio alvinegro.

No balanço dos confrontos entre 2001 e 2010, foram 30 partidas, com 13 vitórias alvinegras, 12 empates e cinco derrotas, 46 gols pró, 30 contra, saldo de 16. É uma vantagem considerável. Uma vitória a cada seis jogos do lado de lá, uma vitória a cada dois clássicos, praticamente, do lado de cá.

A década foi ainda marcada por um longo tabu, iniciado ainda no ano 2000. No dia 9 de abril daquele ano, o Figueira perdeu para o Avaí por 2 a 1 na Ressacada (dia que prometi não por mais os pés no moquifo, história que conto outra hora).

Depois disso, o Alvinegro enfileirou uma sequência de 15 jogos sem perder, com sete vitórias e oito empates, até 2005, quando foi derrotado por um a zero na Ressacada.

Mesmo com o Figueira na série B e eles na série A, os avaianos não conseguem dar o troco. São quatro empates consecutivos pelo campeonato estadual. Na Ressacada, o Figueira não perde pela competição desde 2006.

A coisa ficaria mais feia para a turma azulejenta sem os clássicos da copinha SC disputados no fim do ano passado com os times B. Eles quase dobraram o número de vitórias na década (de três para cinco), com os dois triunfos que obtiveram. O primeiro no Scarpelli, num sábado de manhã, para pouco mais de mil testemunhas, e o segundo, na Ressacada, num domingo de manhã para aproximadamente 400 pagantes.

A supremacia alvinegra na primeira década do novo milênio é flagrante e indiscutível. O Figueirense mandou no Clássico, seja em casa, seja no Sul da Ilha. Fechar 2010 com mais uma vitória só confirmaria o que aconteceu com frequência nos últimos 10 anos.

Confira a lista dos Clássicos realizados nos últimos 10 anos.
Antes da década, início do tabu:

21/05/2000 – 2×2 – Scarpelli – Catarinense

10/09/2000 –1×1 – Ressacada – Copa João Havelange (Campeonato Brasileiro Série B)
Os resultados da década de 2010

10/03/2001 – 3×1 – Ressacada – Catarinense

29/04/2001 – 1×0 – Scarpelli – Catarinense

09/09/2001 – 2×0 – Scarpelli – Série B

27/10/2001 – 1×1 – Ressacada – Série B

07/12/2001 – 2×0 – Scarpelli – Quadrangular final da Série B (show de bola alvinegro)

18/12/2001 – 2×2 – Ressacada – Quadrangular final da Série B (Abimael marca gol igual ao que fez na partida seguinte, contra o Caxias)

12/05/2002 – 1×1 – Ressacada – Catarinense

13/06/2002 – 3×0 – Scarpelli – Catarinense

03/07/2002 – 3×1 – Ressacada – 1º jogo da final do 2º turno do Catarinense (Renato Martins marca o gol mil da história dos clássicos)

10/07/2002 – 0 x 0 – Scarpelli – 1º jogo da final do 2º turno do Catarinense (Figueira conquista os dois turnos e se consagra campeão estadual)

26/01/2003 – 1×1 – Ressacada – Catarinense

16/02/2003 – 1×0 – Scarpelli – Catarinense

02/02/2005 – 1×1 – Scarpelli – Catarinense

13/02/2005 – 0×1 – Ressacada – Catarinense (fim do tabu)

22/01/2006 – 2×1 – Ressacada – Catarinense

01/02/2006 – 2×1 – Lages – Catarinense (jogo em Lages por causa da reforma no gramado do Scarpelli)

19/02/2006 – 2×3 – Ressacada – Catarinense

19/03/2006 – 4×1 – Scarpelli – Catarinense (revoltados com o banho de bola, avaianos incendeiam as cadeiras do Scarpelli)

14/02/2007 – 3×0 – Scarpelli – Catarinense (Ramon faz barba, cabelo e bigode)

13/04/2007 – 1×0 – Ressacada – Catarinense (Ramon completa o serviço e elimina o Avaí com o gol aos 47 do 2º tempo)

12/10/2007 – 1 x 1 – Ressacada – Copa Santa Catarina

06/11/2007 – 2 x 2 –Scarpelli – Copa Santa Catarina

10/02/2008 – 3×0 – Ressacada – Catarinense (Até Bruno Perone jogou bem, Fernandes fez o seu e o Avaí apaga as luzes do estádio quando Alexandre faz o terceiro)

30/03/2008 – 0×2 – Scarpelli – Catarinense (O técnico Gallo escala Elton, que não fazia um jogo há nove meses e é expulso com 15 minutos de jogo)

05/02/2009 – 1×1 – Scarpelli –Catarinense (Eles pensavam que o time de série A ia patrolar o Figueira, mas suaram para empatar)

15/03/2009 – 1×1 – Ressacada – Catarinense (Eles pensavam que o time de série A ia patrolar o Figueira, mas suaram para empatar)

31/10/2009 – 0×2 – Scarpelli – Copa Santa Catarina

22/11/2009 – 0×3 – Ressacada – Copa Santa Catarina (jogos com o time B diminuem o vexame azulejento)

04/02/2010 – 2×2 – Scarpelli – Catarinense (Eles pensavam que o time de série A ia patrolar o Figueira, mas suaram para empatar)

24/03/2010 – 1×1 – Ressacada – Catarinense (amareletion, empate alvinegro no fim e show de selvageria do outro time)

Notas alvinegras

* O árbitro para o Clássico não será de Santa Catarina, mas também não virá de algum estado vizinho. Virá de mais de cima do mapa.

* O Figueira chama a torcida para comparecer ao treino no sábado pela manhã. É hora de dar todo o apoio para os jogadores e passar aquela energia positiva para uma grande vitória no domingo.

* Fernandes está com fome de bola. Isso é muito bom.

* Renê, Coutinho, João Filipe, Bilu. Faça sua aposta para quem joga na lateral direita no Clássico.

* Miguelinho diz no Debate Diário que se vier árbitro de fora tem que fechar o departamento de árbitros da FCF.

* Os árbitros daqui são mesmo ruins, mas quem piora tudo e queima praticamente todos é o Avaí e os avaianos com sua política de terra arrasada quando perdem um jogo. Como é fato comum, não sobra árbitro algum no fim da temporada.

Por Ney Pacheco.

Figueirense e o resultado que interessa

segunda-feira, abril 12th, 2010

Há uma questão básica envolvendo jogos decisivos. É a que tens que conseguir o resultado que te interessa do jeito que for possível.

Isso o Figueirense fez. Não jogou bem. Não reeditou as atuações anteriores, precisou de Wilson muito mais do que nos jogos anteriores, mas conseguiu o empate que lhe interessava pelo regulamento.

Talvez por sua juventude, a maioria dos jogadores se ressentiu do fato de ser um jogo decisivo e não repetiu suas boas atuações anteriores. Além disso, jogadores experientes que poderiam dar mais equilíbrio à equipe, como Bilu e Jeovânio, não fizeram uma boa partida.

Márcio Goiano tem agora uma semana para quebrar a cabeça e encontrar substituto para Lucas, bem como preparar o time para enfrentar uma guerra na Ressacada e ser capaz de vencer.

Não vai ser fácil. Até porque no jogo de domingo, o Figueira vai enfrentar a sua já conhecida limitação de elenco. Não há substituto para Lucas no grupo de jogadores e o técnico vai ter recorrer à improvisação para um atleta hoje que é um dos mais importantes do time, principalmente na criação ofensiva.

A suspensão de Jeovânio não será tão sentida porque ele não está jogando tão bem e Ygor pode quebrar o galho por ali sem problemas.

O retorno de Maicon é uma boa notícia. Depois de tudo que vi durante o campeonato, acredito que o melhor meio campo que o Figueira tem no momento é composto por Ygor, Maicon, Juninho e Roberto Firmino.

Bilu precisa recuperar o ritmo de jogo e Jeovânio tem oscilado bastante, embora tenha sido muito importante no 2º tempo de hoje, destruindo várias jogadas do JEC.

O Figueirense tem uma semana pra se preparar. Fernandes e Marcelo Nicácio podem, inclusive, aprimorar sua forma. Ter o atacante como titular, no lugar do desligado Junior Negão, seria um grande ganho de qualidade. Fernandes, por sua vez, poderia ficar para o segundo tempo, já que o melhor setor do Figueira é aquele meio campo já escalado nos parágrafos anteriores.

O campo é deles, a vantagem do empate é deles. Porém, já ganhamos deles em situações mais adversas. É bom não duvidar.
Notas Alvinegras

* O fanático alvinegro e árbitro Paulo Henrique Bezerra tirou do Clássico dois (Lucas e Jeovânio) dos quatro pendurados do Figueira. Não satisfeito, tirou Lucas de campo na metade do segundo tempo, deixando o JEC com um jogador a mais por quase 25 minutos.

* Já no moquifo, o dócil João Fernando da Silva, o Dadá, só amarelou um dos sete avaianos que entraram em campo com dois cartões. É a pressão desenfreada pós-clássico fazendo efeito? Vão querer árbitro de fora ou o afável Dadá serve?

* Quase 12 mil pessoas no Scarpelli no domingo. Sete mil na Ressacada no sábado. E insistem em comparar.

* Sinceramente não gostei da insistência da CBN com a história do JEC entregar o jogo. Esse papo já veio de um avaiano na coluna do Cacau Menezes no sábado. Triste mania azulejenta de sempre botar defeito nas vitórias e conquistas do Figueira.

* Os dois times procuraram o gol, os dois goleiros trabalharam, houve bola na trave, grandes defesas e o JEC tentou sim vencer o jogo. Talvez o problema seja que os avaianos tenham tanto medo do Figueirense que vejam conspiração e fantasmas em todo lugar.

* Se você ainda não viu, vale conferir o jornal Alvinegro, iniciativa do Meu Figueira que conta com minha colaboração. Clique aqui para saber mais.

Por Ney Pacheco.

Fernandes e Nicácio: dúvidas para domingo

sexta-feira, abril 9th, 2010

O Figueira tem algumas boas perguntas a responder no jogo decisivo de domingo, contra o Joinville.

A primeira delas é se vale a pena utilizar jogadores de qualidade mas vindos de um longo afastamento por contusão.

É o caso de Marcelo Nicácio e Fernandes, que ainda não jogaram nos quatro meses deste ano, mas, inegavelmente, seriam ótimas opções para a partida contra o JEC.

Jeovânio também retorna, mas sua ausência foi bem mais curta e assim outra questão surge. O Figueira deve reforçar a marcação no meio campo?

Apesar do banho de bola que levou no segundo tempo daqueles 3 a 0 na terceira rodada do returno no Scarpelli, o Joinville é um time bem melhor do que o Criciúma.

Vale a pena reforçar a marcação com Jeovânio e Ygor, por exemplo, ou só escalar um dos dois, completando o setor com Bilu, Juninho e Roberto Firmino, já que Maicon está suspenso pelo terceiro cartão amarelo?

Naquela vitória por 3 a 0, o Figueirense entrou em campo com Jeovânio, Coutinho, Juninho e Roberto Firmino. Maicon também estava suspenso. No segundo tempo, com a vantagem estabelecida no placar, Marcinho entrou na vaga de Juninho.

Por outro lado, é certo também que a formação com melhor rendimento contou com Jeovanio na proteção da zaga, Maicon, Juninho e Roberto. Seria simplesmente então só trocar Maicon por Bilu e promover a volta de Jeovânio?

Na opinião deste blogueiro, sim. O melhor é contar o com Jeovânio, Bilu, Juninho e Firmino no meio-campo e partir para cima do JEC. No balanço de suas virtudes e defeitos, não será jogando defensivamente que o Figueira irá ganhar o campeonato.

A escalação tem que potencializar as suas virtudes, até para minimizar os seus defeitos. Ficar tomando pressão, encaixotado em seu campo, aumenta o risco dos erros defensivos surgirem.

Valorizar a posse de bola, adiantar a marcação para o campo do adversário e tocar bola com fluência e velocidade , além de ser o melhor jeito de fazer gol, também é uma boa forma de evitar a pressão do adversário.

Já sobre Nicácio e Fernandes, minha opinião é que se estão 100% bem fisicamente, são ótimas opções para o banco de reservas. A ausência prolongada pode prejudicá-los para começar como titulares, ainda mais no momento mais quente do campeonato, mas a qualidade técnica e a experiência dos dois pode ser muito importante na hora de decidir.

O debate, no entanto, está aberto. Qual sua opinião?

Por Ney Pacheco.

Figueira esquece que futebol é coletivo

segunda-feira, abril 5th, 2010

O pessoal mais das antigas conhece a expressão acima, que brinca com as origens do esporte (clique aqui), para lembrar que o futebol é coletivo.

E este foi justamente um dos motivos para o Figueirense não trazer a vitória de Chapecó neste domingo. Faltou espírito coletivo para rolar a bola para o companheiro mais bem colocado e concretizar ao menos uma da meia dúzia de oportunidades criadas no final do jogo.

Faltou um pouco mais de sorte também – foram duas bolas no travessão, em finalizações de fora da área de Ernani e Coutinho –, mas também faltou um pouco mais de frieza e de qualidade.

É notícia velha que o Figueira não tem um banco à altura de seus titulares. Assim, o time sentiu a ausência de Maicon e Roberto Firmino no meio-campo. As opções para o ataque, ainda sem Marcelo Nicácio, também são muito limitadas. Trocar Junior Negão por Jean Carioca significa trocar uma peça nula por outra que cria chances na mesma medida que as perde.

O Furacão Alvinegro perdeu a liderança, mas está virtualmente classificado. Com as voltas de Firmino e Maicon, mais a possibilidade de ter Fernandes no banco, o Figueira precisa reeditar as últimas atuações no Scarpelli, vencer o Criciúma e ver o que acontece.

Como de costume, uma amarelada avaiana em Blumenau, contra o Metrô, não está descartada e aí é só vencer o Tigre para terminar o returno na liderança.
Notas Alvinegras

* O registro deve ser feito. Contra a Chapecoense, o Figueira conseguiu terminar um jogo fora de casa sem sofrer gol pela primeira vez no campeonato.

* Contando com a vitória por 5 a 0 sobre o Juventus na partida anterior, é a primeira vez que o Figueira fica dois jogos seguidos sem sofrer gol.

* As limitações do adversário sozinhas não explicam o fato do Alvinegro não sofrer gol. Fora de casa, o time tomou gol até do Juventus,na vitória por 4 a 1 no primeiro turno em Jaraguá do Sul.

* Pode-se lamentar o rebaixamento da Chapecoense, mas um time que chega na última rodada cinco pontos atrás da fraquíssima equipe do Brusque não pode reclamar da sorte.

* Aliás, projetos de gestão de time de futebol que tem poder dividido com o gabinete do prefeito sempre correm o risco de degringolar de uma hora para outra, por conta de ingerências que deixam o profissionalismo de lado. Quem acompanha mais de perto pode falar melhor sobre o que aconteceu em Chapecó.

* Espera-se agora que a conversa fiada de aumentar o número de clubes de 10 para 12 alimentada pelo presidente da Havan, morra na casca, já que o Brusque escapou da degola.

Por Ney Pacheco.

A cereja da pizza catarinense

sábado, abril 3rd, 2010

Depois do carnaval que vimos na mídia local sobre os acontecimentos do clássico, o tempero final da pizza veio com a denúncia apresentada pelo procurador Robson Vieira ao Tribunal de Justiça Desportiva (TJD).

Sim, porque depois ver gente na mídia minimizando a confusão cometida por jogadores, dirigentes e torcedores do Avaí – “foi bomba, não foguete”, “tadinho, ele já se arrependeu, até chorou na frente do delegado”, “a culpa de tudo foi da péssima arbitragem” –; de ver o mise en scène das notas oficiais e da denúncia apresentada pelo time do Sul da Ilha ao TJD, o rolo todo só podia ser coroado por um relatório que teve o “requinte” de indiciar Jeovânio pelo foi escrito em coluna de jornal e em blog da internet.

Este blog concorda então com a afirmação do diretor jurídico do Figueirense, Rodrigo Titericz, que disse que “as denúncias contra Jeovânio foram decorrentes de uma situação criada para diminuir a culpabilidade dos atletas e treinador do Avaí” (leia mais aqui e aqui).

E não só a denúncia contra Jeovânio, mas outra, difusa, contra o Figueirense, por ter participado “de rixa, conflito ou tumulto, durante a partida, prova ou equivalente”, cuja punição prevê uma multa de 20 mil reais caso não seja possível identificar os atletas, integrantes da comissão técnica ou dirigentes que tenham tomado parte da “rixa, conflito ou tumulto”.

A denúncia é, portanto, a “cereja da pizza” porque a lógica é a apontada por Titericz. Distribui a ameaça para todos os lados e depois faz um “acordão” para livrar a cara de todo mundo e fatiar a pizza alegramente.

Só que a estratégia só serve para livrar a cara do time do Sul da Ilha. Quem promoveu toda a confusão foram os avaianos, seus jogadores, dirigentes, sua comissão técnica, e até seus gandulas, que são, inclusive, reincidentes.

A denúncia contra Jeovânio é estapafúrdia. Não se pode pautar uma denúncia num tribunal desportivo pelo que escreveram os jornalistas, por mais fiéis aos fatos que eles sejam. Se fosse um vídeo, tudo bem, mas diz-que-diz? Tem que haver algo mais contundente que isso para condenar alguém. E pelo que sei ou é súmula ou imagem de vídeo.

Se a moda pega, o Figueira faz nove jogos fora de casa, no mínimo, no campeonato estadual e em cada um deles alguém da imprensa local pode dizer que um jogador alvinegro fez gestos obscenos para alguém. No final do segundo turno, quase todo o time titular vai estar suspenso.

O jogo em Chapecó

É dificíl avaliar como a Chapecoense vai reagir à traulitada que tomou no Mineirão. Um ano que começou com muito otimista, com um time apontado como um dos candidatos ao título, inclusive por este blogueiro, pode acabar com um inesperado rebaixamento à segunda divisão neste domingo.

O Figueirense, por sua vez, também tem problemas. Uma semana que começou otimista, apontando para um time com mais opções com a condição de jogo de atletas importantes como Bilu, Fernandes e Marcelo Nicácio, se aproxima do dia do jogo com desfalques.

Jeovânio segue de fora, o que já era esperado. Fernandes não foi relacionado para o jogo. Marcelo Nicácio torceu o tornozelo e não viaja. Maicon sentiu o joelho e também está fora. E ainda há a suspensão de Roberto Firmino. O meio-campo, que tem sido o ponto forte do Figueira, vai estar então muito mexido.

Vai ser um jogo tenso. A Chapecoense vai ter que sair para o jogo e o Figueira, que não tem primado por um bom sistema defensivo, vai ter que saber como se livrar da pressão e explorar os espaços que o time do Oeste pode oferecer.

Por Ney Pacheco.

Figueirense pode rebaixar mais um

quinta-feira, abril 1st, 2010

A vitória do Brusque sobre o Criciúma por 2 a 0 na noite desta segunda-feira botou mais pressão sobre a Chapecoense para o jogo contra o Figueira no próximo domingo. Isso porque se o time do Oeste perder para o Alvinegro estará definitivamente rebaixado para segunda divisão de Santa Catarina.

Com a vitória, o Brusque manteve três pontos de vantagem sobre a Chapecoense (17 a 14), mas tem duas vitórias a mais (5 a 3). Assim, se os dois chegarem à última rodada com três pontos os separando, o time do Vale do Itajaí leva vantagem no primeiro critério de desempate, justamente o número de vitórias.

O resultado desta segunda-feira também serviu para deixar o Criciúma ainda na alça de mira do rebaixamento. O Tigre tem 20 pontos, contra 17 do Brusque e 14 da Chapecoense. Precisa, portanto, de um ponto em seus dois últimos jogos – Imbituba, em casa, e Figueira, fora – para afastar qualquer risco de queda.

Poderemos ter uma coincidência curiosa. O Figueirense foi responsável pelo rebaixamento matemático do Juventus, ao goleá-lo por 5 a 0 no último sábado. Se vencer a Chapecoense, vai rebaixar o Verdão do Oeste. Se perder em Chapecó e bater o Tigre no Scarpelli na próxima quarta-feira pode ainda ser responsável pela queda do Criciúma, desde que o time do carvão perca antes para o Imbituba.

Por enquanto, o Figueira tem que se preocupar com o jogo em Chapecó. O time vai ter que saber lidar com a pressão que o time da casa vai fazer. Também vai precisar saber explorar o nervosismo chapecoense, além do desgaste causado pela viagem e a partida em Belo Horizonte na quinta-feira. Por fim, vai ter que dar um jeito de se defender melhor nas bolas aéreas, o grande ponto falho do Figueira desde o início do campeonato.
Notas alvinegras

* Marcelo Nicácio foi finalmente apresentado como jogador do Figueirense. Sua contratação contrariou tudo que se costuma fazer nas negociações no futebol. De qualquer forma, pelo que já fez em outros times da série B, é inegavelmente um bom reforço para a temporada.

* A denúncia avaiana do trio de arbitragem do Clássico no TJD é risível. O time do Sul da Ilha resolveu combater fogo com fogo, depois de Luiz Orlando relatar corretamente a truculência toda que ocorreu no final do jogo. O que o Avaí pretende? Trocar uma acusação por outra, num inusitado toma-lá-dá-cá jurídico?

* Vendo a partida desta segunda-feira, só pude confirmar a impressão que tive ao assistir outros jogos do Criciúma. Tecnicamente, é o pior time do Tigre nos últimos 20 anos, no mínimo. A equipe é de uma tosquice sem tamanho com a bola no pé. Se não se tratasse do Criciúma, eu até sentiria pena…

Por Ney Pacheco.

Teste para o Figueira jogar sério e vencer

sábado, março 27th, 2010

O Figueira é franco favorito contra o Juventus na noite deste sábado no estádio Orlando Scarpelli. Tem, no entanto, que comprovar a superioridade em campo. É jogo para vencer e bem, mas para isso tem que começar o jogo ligado, resolver a parada logo e não dar sopa para o azar.

Jeovânio está fora, com outra contusão muscular. É uma pena, porque o capitão alvinegro vinha, aos poucos, recuperando seu futebol. Para este blogueiro, esta seria a única dúvida na escalação. No lugar de Jeovânio poderia entrar Ygor ou Coutinho.

Além de um deles, o meio-campo deveria ser formado por Juninho, Maicon e Firmino. É o que o se tem de melhor no momento, já que Bilu e Fernandes não foram relacionados para a partida.

Esse trio tem jogado bem, principalmente nas partidas em casa e num jogo em que o Figueira deve pegar um adversário absolutamente retrancado não há sentido em jogar com dois volantes marcadores.

Confirmando a vitória, o Figueira assume provisoriamente a liderança do returno e transfere a responsabilidade para os adversários que jogam no domingo.

Apesar do mau tempo e do horário extravagante, o preço do ingresso foi reduzido, a fase é boa, o time está em ascensão e o astral melhorou depois do dia 22. Ir ao Scarpelli e dar aquela força ao Figueirense é, portanto, uma boa pedida. Estamos entrando na reta final e é hora da torcida alvinegra comprovar a sua força.
Notas alvinegras

* Marcelo Nicácio saiu no BID ontem e pode jogar o campeonato estadual. Antes, na quarta-feira, Jean Deretti, uma das maiores promessas da base alvinegra, também saiu no BID, mas registrado na Tombense. O distrato saiu caro.

* E a turma do Sul da Ilha simplesmente sumiu com o trófeu que seria do Figueirense. É a mais pura várzea.

* O time azulejento é realmente peculiar. Na quinta-feira, divulgaram uma nota para divulgar que iam divulgar uma nota. Na sexta, veio a nota. Um traque.

* Nos bastidores e na mídia, no entanto, partiram para ofensiva. Querem aposentar Luiz Orlando, dar um gancho para o Jeovânio, um cidadão se apresentou como responsável pela bomba e todo aquele circo. É bom ficar de olho.

* Na mídia também tem gente perdendo a compostura. Roberto Alves diz que a culpa de tudo foi de Luiz Orlando de Souza. Cacau Menezes garante que se o Avaí for punido pelo que o árbitro relatou corretamente na súmula, o juiz vai ter que mudar de cidade. É preciso ter cuidado com esse tipo de ameaça. Ainda mais partindo de um profissional da imprensa.

* Se o chororô continuar descontrolado desse jeito é melhor parar o campeonato e entregar a taça pra turma do Sul da Ilha. Se não, sabe-se lá o que vai acontecer.

Figueira e Avaí duelam pelo catarinense

quarta-feira, março 24th, 2010

O primeiro Clássico que eu lembro de ter visto na Ressacada foi um 3 a 0 para o Figueirense pelo quadrangular final do campeonato estadual de 1984, com três gols de Airton, um centroavante grandalhão e tosco que era reserva do ótimo Guilherme (Macuglia).

De lá para cá, a supremacia alvinegra nos Clássicos se reafirmou. Na Ressacada então nem se fala. Desde a inauguração do estádio avaiano, em 1983, é o Figueirense que manda no pedaço.

Deixando de lado jogo com o time B pela Copa SC presenciado por duas ou três centenas de testemunhas, o Figueira não perde no moquifo do mangue desde 2006, quando ainda era comandado por Adilson Batista.

Foi um 3 a 2 em que o Figueira ficou com um a menos depois da expulsão de Henrique no começo do segundo tempo e o Avaí chegou a abrir 3 a 0. O Furacão Alvinegro diminuiu para 3 a 2 e deu um sufoco no fim.

Depois disso teve o Clássico do Ramon, em 2007, com aquele gol no finzinho que eliminou o Avaí do campeonato e foi narrado em ritmo de marcha fúnebre por uma rádio da cidade.

Em 2008, foi a vez dos 3 a 0, em que até Alexandre Pedalada fez gol e o Zuzu mandou desligar os refletores assim que a bola estufou as redes pela última vez.

No ano passado, o resultado ficou no um a um, com o time deles correndo atrás do empate, alcançado com um gol em impedimento.

Fica evidente que o estádio do Sul da Ilha é um lugar onde o Figueira gosta de jogar e a torcida alvinegra gosta de fazer festa. É o nosso playground predileto.

O que o time alvinegro precisa fazer hoje é aliar a velha mística, a velha tradição das grandes exibições e grandes vitórias na Ressacada, com a personalidade e o belo futebol dos jogos recentes no Scarpelli. Aí vai ser festa outra vez, como de costume.

Pra cima, Figueira.

Tua glória é lutar.

P.S. Um dia como hoje não pode passar sem uma menção honrosa à administração séria e competente da Federação Catarinense de Futebol que consegue marcar os dois clássicos, ou seja, os dois jogos mais importantes e rentáveis do campeonato, para dias de semana à noite. Os gênios da FCF, secundados pelas diretorias dos dois clubes, não conseguem nem consultar a “folhinha” na hora de de montar a tabela.

Por Ney Figueira.

Figueira vence e se isola na vice-liderança

domingo, março 21st, 2010

É preciso dar o mérito ao técnico Márcio Goiano. Assim como ocorria em seus tempos de zagueiro e capitão do Furacão Alvinegro, quem manda no estádio Orlando Scarpelli é o Figueirense.

É preciso dar ainda outro mérito ao treinador. Mesmo com lacunas no time titular e mais ainda nas opções de banco, ele está conseguindo fazer o time jogar muito bem quando se apresenta em seus domínios.

Para quem viajou de Goiânia a Florianópolis no final do ano sem saber direito se ia ser técnico ou gerente e acabou virando auxiliar técnico, Goiano está fazendo um belo trabalho desde que assumiu o comando da equipe.

Assim, a vitória por 3 a 0 sobre o Metropolitano neste sábado foi apenas reflexo do bom futebol bem apresentado em campo. Aliás, o futebol merecia um resultado bem mais elástico do que o placar final.

O Figueirense foi soberano durante o jogo todo e, contra um Metropolitano absolutamente tímido e encolhido, foi empilhando oportunidades de gol até o abril o placar com Maicon aos 20 minutos do 2º tempo.

Foram, no mínimo, uma dezena de chances claras de gol, algumas desperdiçadas por precipitação ou falta de qualidade na finalização e a maioria evitada por obra da grande exibição do goleiro João Paulo.

Quando finalmente abriu o placar, a ansiedade que podia virar desespero se dissipou e mesmo mais cuidadoso na defesa, o Figueirense criou várias outras chances até fechar o placar em 3 a 0.

O resultado garantiu o 2º lugar isolado para o Figueirense e reforça o bom astral para o clássico. Agora é pensar no velho freguês.

Notas Alvinegras

* Roberto Roberval Davino tem um problema sério como treinador. Quando ele se convence que o seu time é inferior ao adversário, parece aceitar antecipadamente a derrota. O Metropolitano se limitou a ficar encolhido na defesa, torcendo pura e simplesmente que os milagres do goleiro não acabassem ou que o Figueirense não conseguisse acertar as redes.

* Quando dirigiu o Figueirense nas primeiras rodadas da Série A de 2002, no retorno alvinegro à primeira divisão, também foi assim. Foram cinco jogos, cinco derrotas, nenhum gol marcado e um futebol horroroso. Bem diferente do que o time jogou sob o comando do mesmo Davino na conquista do campeonato estadual daquele ano.

* João Filipe tomou o terceiro amarelo e está fora do Clássico. Improvisar Ygor é a única opção que Márcio Goiano tem.

* Mesmo com a queima de estoque, o público ficou abaixo do esperado. A nova direção do clube vai ter que trabalhar muito para reconquistar a confiança do torcedor e fazê-lo voltar ao estádio.

Por Ney Pacheco.